Roberto DaMatta

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Roberto DaMatta



Antropólogo, professor, ensaísta e escritor, Roberto DaMatta é professor de antropologia na universidade Notre Dame (Estados Unidos), desde 1987.

Na qualidade de professor-visitante das universidades norte-americanas de Winsconsin-Madison e Califórnia-Berkeley e da universidade inglesa de Cambridge, proferiu conferências nos principais centros de pesquisa e ensino de antropologia social da América, Europa, Ásia e África.

A importância de sua obra fez com que se tornasse membro-titular da Academia Brasileira de Ciências e do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.

Em abril de 2000, foi eleito membro estrangeiro da American Academy of Arts and Sciences dos Estados Unidos.

PhD em Antropologia Social, Roberto DaMatta escreveu 12 livros, entre os quais “Carnaval, malandros e heróis”, “Universo do futebol” e “ Tocquevilleanas”, entre outros.

Recebeu o prêmio Casa Grande & Senzala, do Instituto Joaquim Nabuco, como a melhor interpretação do Brasil nos anos 1980, com o livro “O que faz o brasil, Brasil?”.

Foi o primeiro a trazer à luz do pensamento antropológico elementos da cultura brasileira que não eram levados a sério na academia, como a malandragem, o futebol e o carnaval. Não por acaso, “Entenda o Brasil” é o título de sua conferência.

Graduadado e licenciado em História pela Universidade Federal Fluminense (1959 e 1962). DaMatta possui curso de especialização em Antropologia Social do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (1960); mestrado (Master in Arts) e doutorado (PhD) em 1969 e 1971 respectivamente pela Universidade Harvard.

Foi Chefe do Dept. de Antropologia do Museu Nacional e Coordenador do seu Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social (de 1972 a 1976).

É Professor Emérito da Universidade de Notre Dame, USA, onde ocupou a Cátedra Rev. Edmund Joyce, c.s.c., de Antropologia de 1987 a 2004.

Atualmente é professor associado da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e da Universidade Federal Fluminense.

Em 2001 recebeu a Ordem do Mérito do Rio Branco no grau de Comendador.

Realizou pesquisas Etnologicas entre os índios Gaviões e Apinayé.

Foi pioneiro nos estudos de rituais e festivais em sociedades industriais, tendo investigado o Brasil como sociedade e sistema cultural por meio do carnaval, do futebol, da música, da comida, da cidadania, da mulher, da morte, do jogo do bicho e das categorias de tempo e espaço.

Considerado um dos grandes nomes das Ciências Sociais brasileiras, DaMatta é autor de diversas obras de referência na Antropologia, Sociologia e Ciência Política, como Carnavais, Malandros e Heróis, A casa e a rua ou O que faz o brasil, Brasil?.

Em 1974, Oswaldo Caldeira realizou para o Ministério da Educação e Cultura, com finalidades didáticas, o documentário de média metragem Aukê.

O filme é uma aula de Antropologia, baseada no estudo de Roberto DaMatta de 1970 chamado Mito e anti-mito entre os Timbira, que conta o surgimento do homem branco do ponto de vista indígena.

O próprio Roberto DaMatta apresenta e explica seu trabalho ao longo do filme, que foi selecionado e exibido no Festival de Brasília de 1975.
Influências

Uma de suas grandes influências é o antropólogo estadunidense David Maybury-Lewis (grande especilista na etnia Xavante), a quem auxiliou durante seus estudos na Universidade de Harvard, entre as décadas de 60 e 70. Desde 1971, reside nos Estados Unidos.

Estudioso do Brasil, de seus dilemas e de suas contradições, mas também de seu potencial e de suas soluções, DaMatta não se afasta de seu país mesmo quando desenvolve outros temas. A comparação com o Brasil é inevitável em sua obra.

DaMatta revela o Brasil, os brasileiros e sua cultura através de suas festas populares, manifestações religiosas, literatura e arte, desfiles carnavalescos e paradas militares, leis e regras (quando respeitadas e quando desobedecidas), costumes e esportes.

Daí surge um Brasil complexo, que não se submete a uma fórmula ou esquema único. Para DaMatta, o Brasil é tão diversificado como diversificados são os rituais, conjunto de práticas consagradas pelo uso ou pelas normas, a que os brasileiros se entregam.

Todos esses temas são abordados em sua relação com duas espécies de sujeito, o indivíduo e a pessoa, e situados em dois tipos de espaço social, a casa e a rua.

A distinção entre indivíduo e pessoa é bem demarcada em seu original trabalho sobre a conhecida e ameaçadora pergunta: Você sabe com quem está falando?.

Os seres humanos que se sentem autorizados a se dirigir dessa forma aos outros, colocam-se na posição de pessoas: são titulares de direito, são alguém no contexto social.

Os seres humanos a quem tal pergunta é dirigida são, para as pessoas, meros indivíduos, mais um na multidão, um número.

A rua é o espaço público. Como é de todos, não é de ninguém, logo, tem-se ali um espaço hostil onde não valem as leis e os princípios éticos, a não ser sob a vigilância da autoridade.

A convivência na rua depende de uma negociação constante, entre iguais e desiguais.

A casa, considerada num sentido amplo, é o espaço privado por excelência, onde estão “os nossos”, que devem ser protegidos e favorecidos, e aqui DaMatta retoma e atualiza o conceito de homem cordial de Sérgio Buarque de Hollanda.

Temas de Palestras

- Cultura
- Jornalismo
- Antropólogo
- Ciências Políticas e Sociais