Olivier Anquier

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Olivier Anquier



Posso dizer que sou um bon vivant. Que o leitor não se precipite ao me taxar de desocupado. Digo isso porque desfruto da vida em seu sentido mais amplo, o que inclui trabalho. E tenho feito muitas coisas desde que desembarquei no Rio, em 1979. Ao contrário de muitos imigrantes, o que me trouxe para cá não foi a fome ou qualquer outra desgraça. Vim como turista. O que eu não esperava é que minha viagem, inicialmente programada para durar um mês, durasse até hoje, fruto de uma paixão arrebatadora que senti por este país.

Foi aqui que me realizei fazendo o que mais gosto: pão. Uma tradição em minha família, iniciada por meu tio-avô Gilles Cordellier. Mas antes de falar dos meus pães, vou rememorar algumas passagens da minha vida profissional.

Curiosamente, a primeira oportunidade de trabalho que apareceu para mim por aqui me levou de volta à Europa. Durante 10 anos, freqüentei passarelas e estúdios como modelo da alta-costura internacional. Um tempo em que conheci lugares e gente de todo o mundo e que guardo com muito carinho na memória.

Em meados dos anos 80 eu era um dos top 10 modelos masculinos do mundo, mas sabia que ali não estava minha realização. Em 89, com a morte de meu pai, François, senti que era chegada a hora de uma nova mudança em minha vida. Minha vocação me chamava o tempo todo para a cozinha e então eu resolvi atendê-la. E tinha de ser no Brasil.

Motivado pela minha incessante curiosidade, parti para uma viagem pelo litoral brasileiro, buscando o lugar ideal para eu morar e montar meu restaurante. Foi no paraíso cearense de Jericoacoara onde estacionei minha Rural, após três meses e meio de viagem.

Lá nasceu o Aloha. Jeri era quase exclusivamente freqüentada por turistas europeus naquela época, o que me ajudou bastante em minha adaptação. Mas sentia falta da civilização e, uma vez por ano, passava uma temporada longa em São Paulo, onde gastava todo meu dinheiro acumulado ao longo do ano em restaurantes, teatros, cinemas, cultura enfim. Quis o acaso que eu encontrasse por lá uma carioca, Débora, que viria a ser minha esposa e mãe de meus dois filhos, Julia e Hugo.

Em 1991, cansado da distância que me separava de Débora, fechei as portas do Aloha e fui para o Rio. Alguns meses após minha chegada, Débora e eu resolvemos montar um novo restaurante, desta vez na Lagoa da Conceição, em Florianópolis.

O Malaïka foi um grande sucesso na Ilha de 92 a 94. Tive a feliz e a infeliz idéia de montar a cozinha do restaurante no meio do salão, à vista de todos os clientes. Resultado: nunca trabalhei tanto em minha vida! Não podia deixá-la nas mãos de um assistente que logo alguém reclamava: "cadê o Olivier?". O lado bom disso é que aprendi absolutamente tudo sobre cozinha e restaurantes.

Chegou uma hora em que eu precisei parar. Desta vez, queria o desafio de abrir um negócio em São Paulo e, após alguns estudos, decidi que seria uma boulangerie, dando continuidade à tradição familiar. Parti para um estágio de 3 meses em Sidney, Austrália, na boulangerie de minha mãe, Myriam. A Victoire era (e ainda é) um enorme sucesso naquela cidade.

De volta ao Brasil, abri a minha primeira boulangerie, a Pain de France, no bairro paulistano de Higienópolis. Entre 95 e 97, consolidei minha imagem como padeiro, o que me orgulha imensamente. No final deste período, quando a Pain de France tinha outras duas lojas (Vila Nova Conceição e Jardins), saí da sociedade.

Em novembro de 97, firmei uma parceira com o Pão de Açúcar, que passou a vender minha linha de pães em dezenas de lojas de sua rede. Foi a fase em que minha panificação ganhou escala comercial, sem nunca perder seu caráter artesanal.

Outra empreitada no mundo dos pães viria somente em 2003, com a abertura da Anquier, minha padaria e loja de meus produtos em São Paulo que, devido a problemas com a administração do condomínio em que estava instalada, acabou encerrando suas atividades em 2005.

Paralelamente à minha atividade como padeiro, iniciei uma carreira como apresentador de televisão.

TV, uma grata surpresaEm 96 recebi um convite para estrelar um programa de culinária na Tv Record, o Forno, Fogão & Cia. Fui fisgado e adorei a experiência. De lá fui para a Globo apresentar um especial, chamado de O Francês, durante a Copa do Mundo da França, em 98.

Foi juntando a experiência de pilotar um fogão em frente às câmeras ao espírito jornalístico que me guiava pela França que desenvolvi o projeto do Diário do Olivier. De 99 a 2003, o programa, transmitido pela GNT, foi um grande sucesso, chegando a ser líder de audiência entre os canais de TV por assinatura. No início de 2006, a atração voltou ao ar, desta vez em rede aberta. A TV Record exibe o Diário do Olivier todos os domingos, como um bloco do Domingo Espetacular. Entre uma emissora e outra, o Programa do Olivier (nome diferente, mas formato muito semelhante), era transmitido exclusivamente pela Internet.

 Temas de Palestras

- Gastronomia

- Empreendedorismo

- Trabalho em Equipe

- Case de Sucesso