É mais importante a diversidade ou a inclusão?

É mais importante a diversidade ou a inclusão?


A diversidade é a maior força que possuímos para colocar nossas empresas em contato com um mundo em transformação profunda, intensa, rápida, plural e, de várias maneiras, desconcertante. É um mundo gerador de medos, angustias e ansiedades para quem quer lançar âncoras num mar que quer fazer navegar, num mar onde tudo é uma grande viagem.

É um mundo em transformação, em transe, um mundo trans. Só não podem ser intransponíveis os muros que alguns teimam em levantar. Se sentindo em guerra, na defesa de um passado que nem mesmo existiu, há quem erga trincheiras quando deveria construir pontes. Barricadas devem dar lugar a encontros.

Por meio da diversidade, construímos pontes, conexões das mais variadas com o passado, a pluralidade de presentes e as muitas tendências de futuro. A capacidade de escutar, de sentir o mundo onde você está é essencial para nossas empresas sobreviveram no século XXI. Ou não.

Diversidade é palavrinha forte que diz tudo ou diz muito. Há quem brigue para colocar inclusão na frente. Há quem brigue para colocar inclusão depois. Eu gosto muito da diversidade e do seu poder de conexão com o mundo plural e repleto de bilhões de singularidades.

Podemos incluir qualquer um e de qualquer jeito. Podemos incluir sempre os mesmos, apenas um grupo, um tipo, uma fala ou um jeito de ser. Já a diversidade confere qualidade para a inclusão, lembra que inclusão está a serviço dela e não o contrário.

A diversidade fala mais alto e não é fácil controla-la. Controle absoluto sobre os corpos, fazer de tudo para reduzi-los a mera “mão de obra”, era a tarefa essencial do século passado. Cadê o resto do corpo? Cadê a pessoa? Ficou em algum lugar porque tudo que se quer mesmo é a mão que faz a obra.

O mundo atual exige diálogo e colaboração, troca, sentido, propósito, significados, conexões. A tarefa número dois do controle é se livrar de alguns de nós, logo de cara, em algum momento, por alguns motivos. E faz tudo em nome da defesa de um ideal humano que nem mesmo existe mais, se é que um dia existiu.

A tarefa era se livrar das mulheres, dos negros, das pessoas com deficiência, dos mais jovens, dos mais velhos, dos crentes, dos ateus, dos sotaques indesejados, das orientações sexuais e identidades de gênero não condizentes com esse padrão dominante idealizado.

A tarefa hoje é trazer pluralidade para perto, para dentro, para repensar o todo. A tarefa hoje é promover encontros. Diversidade, diz a consultora americana Verna Myers, é convidar para a festa. Tem graça uma festa só com os mesmos? Convidar para a festa é essencial. Não excluir, não barrar, não deixar amargando do lado de fora quem precisa estar dentro pra festa ser festa de verdade e das boas. Como desprezar ou subalternizar a diversidade?

Ela, a Verna, complementa que tem que incluir. Não dá para ficar na festa sentado num canto. Se convida para a festa, tem que convidar para dançar. Isso é inclusão. Impossível, então, ter festa boa sem diversidade e sem que a diversidade participe da dança. É a diversidade que dá o ritmo, que pluraliza os passos, que gera novas coreografias. A música se transforma com notas, instrumentos, vozes, ritmos...

Muita arrogância achar que tem uns que incluem e outros que são incluídos. A relação de poder que exclui, humilha e mata, que controla, molda, conforma e extermina possibilidades continua presente neste modelo. Inclusão a serviço da diversidade é via de mão dupla, é processo químico muito mais que físico. Tudo e todos se transformam no processo de inclusão que rompe com essa lógica de “inclusores” e de incluídos, passivos, mansos, dóceis e obedientes, prontos para se moldar à imagem e semelhança de quem inclui. Incluir é verbo bitransitivo, incluir é relação, é disposição para mudar e mudar-se.

Diversidade não precisaria de mais nada. O que se quer? Diversidade. Inventaram que era preciso falar também de inclusão. Bom seria falar, então, em diversidade e transformação.

 

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