Ana Maria Braga: \"Eu quero é ser de verdade\"

Ana Maria Braga: \"Eu quero é ser de verdade\"


Ninguém é capaz de sentir mais nada de verdade.
Somos robôs que precisamos reaprender a sermos humanos?

Quando era mais nova nem sabia ao certo o que era Lei da Atração, visualização, ou colocar uma meta de vida na linha de chegada. Não tínhamos internet disponível, as descobertas científicas não chegavam na timeline no segundo seguinte, e os coachs não brotavam nas esquinas com suas teorias sobre objetivos de vida e mindset positivo.

Saber o que se queria ser era uma coisa mais intuitiva mesmo.

Era olhar praquilo, colocar na cabeça e querer que desse certo.

Uns dias atrás fiz minha tradicional missa na Fazenda Primavera. A minha fazenda. É nessa missa que eu celebro a vida, que eu agradeço pelas minhas curas e por tudo mais. É um jeito de demonstrar gratidão pelas minhas realizações. Quando criança eu via uma cerimônia parecida na fazenda de uma amiga da família, a Regina, e queria fazer igual e ter uma fazenda quando crescesse. E consegui. Cresci, trabalhei muito, e conquistei tudo aquilo que queria. Até a tão sonhada fazenda.

E você deve estar se perguntando – o que tenho a ver com isso?

É que descobri esses dias que gratidão é uma das palavras da moda mais buscadas no Google, Só que a busca surgiu quando ficou comprovado que quando nos sentimos gratos, recebemos mais daquilo que queremos. E isso não é esoterismo. É ciência mesmo. Por isso hoje tanta gente faz exercícios de gratidão. Veja só que curioso. Existem cursos pra ensinar as pessoas a serem gratas. E a busca por isso é insana.

Como se as pessoas não fossem capazes de expressar esse sentimento sem aprender mecanicamente como fazer. Se eu aplico os exercícios, consigo ‘vibrar aquele sentimento e atrair toda a positividade pra minha vida’.

Assim, tudo virou um mecanismo. Um método.

Ninguém é capaz de sentir mais nada de verdade. Somos robôs que precisamos reaprender a sermos humanos? Somos máquinas que precisam de certificado de sentimento pra dizer que estamos aptos a colocar algum deles em prática?

Achei uma coisa muito louca.

Talvez eu esteja fora de moda. Ou fora do meu tempo.

Mas enquanto estiver frente a frente com um ser humano que precisa se esforçar pra ser gentil, fazer curso de empatia pra sentir o que o outro sente, ler todas as apostilas do mundo pra conseguir se relacionar com alguém, ou aprender uma estratégia pra agradecer algo, vou preferir estar mesmo em outro tempo ou espaço.

Quem sabe na minha fazenda, respirando ar puro.

Sem wi fi, mas conectada de verdade com o que é importante.


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