Música: uma ferramenta incógnita

Música: uma ferramenta incógnita


Ouvimos música o tempo inteiro: ao dirigir, relaxarmos, quando trabalhamos e muitas vezes até para dormir. Nossa vida tem trilha sonora. Esse fenômeno nos acompanha desde que surgiu o ser humano, na Pré-história.

Alguém percebeu que havia algo batendo dentro de seu peito. Ao externalizar esse som surgiu o ritmo. Por outro lado, na mesma época, para atrair o almoço os caçadores começaram a imitar os sons da presa, criando a melodia. A união entre ritmos e melodia surge a harmonia.

O Som com Intenção (conceito de música sob meu ponto de vista) é algo inerente a qualquer sociedade humana do planeta. O que difere é a sua aplicação. Existem relatos da aplicação de música, por exemplo, na China antiga durante a Dinastia Tang (618 – 907), pois seu Imperador a usava como unificador de seu império.

Já na Grécia antiga, a melodia chegou a um nível organizacional da “Musicoterapia” baseado no “psiquismo” e no “somatismo” do ser humano, através dos modos gregos que denominavam-se Ethos, e foram desenvolvidos por Pitágoras (570 –c. 495 a.C.) e Platão (427 a.C. – 347 a.C), entre outros.

No Egito, próximo à região de Kahum, foi descoberto em 1989 um papiro de aproximadamente 4500 anos que revelava a utilização de um sistema de sons e de músicas para a aplicação em tratamento de problemas emocionais, físicos e espirituais. Mudando de continente podemos dizer que a cultura africana é extremamente musical: algumas tribos utilizam seus tambores no cálculo de deslocamento de guerreiros.

Experiência pessoal – Tive o imenso prazer e a oportunidade de morar com indígenas durante dois anos (dos 17 aos 19) de minha vida. Na tribo eu percebi a aplicação do som e a importância da música. A própria palavra TUPI significa Flauta em Pé, pois eles acreditam que somos uma flauta e cada palavra nossa emitida é um som. Dessa forma, podemos e devemos escolher os melhores sons para que a nossa flauta soe muito bem.

Em uma orquestra sinfônica, ou até mesmo numa banda popular, os integrantes são responsáveis por executar a nota musical no momento certo; na intensidade certa, com a intenção certa. É uma atitude com alto grau de comprometimento e confiança. Nesta mesma orquestra, se um músico não esta comprometido e executa algo que esteja fora do combinado, algo estranho irá acontecer. Se apenas uma inserção sonora é executada de forma individual e não coletiva a obra estará comprometida em sua excelência.

Mark Johnson, engenheiro de som e mentor do projeto “Play for Change”, deixa muito claro que a conexão sonora é de confiança, pois são vários músicos de diferentes partes do mundo, quase todos profissionais de rua, executando a mesma obra. O resultado são timbres únicos, uma torre de Babel que dá certo. É uma música de no máximo 4 minutos que funciona como ferramenta, ligando culturas distintas e substituindo armas e agressões por arte e confiança.

Isso não é uma metáfora.


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